És o eu
Quem disse, «vivemos para provar aos outros que estão enganados?»
Independentemente do nome do (famigerado) autor de tão bela frase, apraz-me tecer alguns comentários relativos à sua lógia - ou não lógica!
Partamos do seguinte princípio: haverá engano ou acerto quando falamos de seres humanos? O que é uma coisa e o que é a outra? Não será tudo fruto de contextos? Obviamente que somos pessoas com idiossincrasias (umas vezes bem definidas outras nem tanto) particulares que nos distinguem dos que nos rodeiam - embora nos aproximem ainda mais, no inverso -, fazendo com que, por si só, ajamos distintamente. No entanto, defendo que raramente algo pode ser retirado do próprio (tal) contexto em que se insere. Por muito que nos custe, isso ajuda a explicar algumas das acções que vamos tomando ao longo da nossa vida. Aprendemos. Erramos. Vamos amadurecendo opiniões e perspectivas. Na verdade, aprimoramos o nosso "ser único". Pelo menos, assim deveria ser. Entendo-o dessa forma e tenho esse desafio-mor. Lutar. Não obstante, procurando sempre aproximar-me da linha condutora: a coerência. Evitar mudar de «camisa» por conveniência. Ser suficientemente aberto e dotado para perceber que não é de absolutismos nem de teimosias que chegaremos «lá». Lá, onde a nossa pessoa encontra, cada vez mais, a certeza de ser quem é. Suponho que esse será, em qualquer circunstância, o fim último - nada de pensamentos apocalípticos!
É uma condição inexpugnável: vivemos na nossa própria procura. Relacionamo-nos. Amamos. Sofremos. Damos e recebemos. Experimentamos. Desistimos (abrimos mão, se quiserem). Choramos e rimos. Desejamos, impreterivelmente, a paz interior. A sensação de felicidade (nem que seja só isso mesmo, uma «sensação» fugaz). Os momentos de equilíbrio ou os de falta dele. Nunca seremos suficientes. Jamais chegaremos a nós próprios se vivermos enclausurados dentro da concha que (não) nos protege. São os outros que nos servem de espelho. Serão sempre eles aquilo que nos falta. A nossa compreensão. As nossas dúvidas. O bom e o mau.
Procurem. Ou aguardem como pêndulos. Mas vivam! Saboreiem cada hausto, não como se pudesse ser o último; antes por saberem que após esse poderá sempre vir um outro, que não o extinguirá... mas que servirá de complemento. Eis a palavra-chave.

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