segunda-feira, agosto 20, 2007

Existe fim?

Já dizia «Sir» James Blood (citando), «todas as relações têm um fim; um fim que encerra a novidade». Acredito que nem tudo tem, inexoravelmente, esse propalado «fim». Convicções à parte, o fim existe, nem que seja um fim suspenso, em certa medida uma espécie de «até já» convicto e sem dupla entonação. Mais importante de tudo é seguir (preferencialmente) em frente, progredir, iniciar novos projectos (sem ser obrigado a abandonar os anteriores).
Neste caso particular (tanto enredo...), creio que chegou ao término um ciclo - uma fase (satisfatória). Um capítulo. Logo, e por inerência, dever-se-á iniciar um outro - essa é a meta. Nunca parar. Jamais encarar a «repetição» constante de «seja-o-que-for» com resignação. Quero novos limites; novos desafios; novos frémitos!
Mantenho a opinião: nem tudo tem um fim - embora ele exista.
Posto isto, sinto a barriga num intenso formigueiro...
http://dezlinhasdemim.blogspot.com/
FIM

terça-feira, agosto 14, 2007

Elixir

Apelar à confusão!
Querer tudo e nada dizer. Olhar o céu de noite e vê-lo como um pedaço de tela pintada a óleo pela mão de um pintor. A vida é artista. O mundo respira cores. As pessoas são sons que ecoam dentro de nós. Movem-nos. Fazem-nos acreditar que nada é como tem de ser…
Confusão.
Há dias ouvia dizer, «a vida é um martírio. Tudo é um martírio. É assim, a vida.» Pareceu-me uma espécie de silogismo… Que barbaridade cruel! Que irritação medonha!
Apraz-me dizer que se trata de um silogismo da desgraça, um fado comum aos sofredores da alma! Paremos de sucumbir perante as dificuldades; deixemos a mágoa da mediocridade; a avareza do ser incompleto e insuficiente. O destino traçado nos nossos pés. Que triste existência essa! Nem quem é pobre de riqueza deve parar para lamentar a ausência dos bens materiais!
Defendamos com galhardia e convicção os nossos ideais, as nossas certezas (que as há!) e os sonhos mais profundos. Batalhemos na arena mesmo que contra ferozes criaturas!
Ai a confusão latente…a diversidade tão salutar.
O olhar de viés e ver que coração treme. Há uma sensação de necessidade premente. O descontrolo do corpo que sofre. A perda de lucidez. O abano.
Para quê sofrer? Fazer sofrer? Magoar? Esse caminho de seres tristes e impotentes de espírito.
Que caminho tão dúbio, afirmam…
Que crescimento tão frutuoso, garanto eu! Que destruição sumarenta!
Fracos os que não sentem a felicidade plena: os que julgam (sim, porque julgam!) que só podemos viver «momentos» felizes; fracos os que manietam os demais iterativamente em busca de equilíbrios passageiros e unilaterais.
A perfeição existe e eu quero-a!
«Na minha cabeça nada se confunde.»

segunda-feira, agosto 06, 2007

Fruto proibido

De que servem as pessoas que conhecemos?
E para que servirão as suas opiniões?
Já conheci muita gente, estabeleci diversas relações com essas pessoas, surpreendi-me com algumas e desiludi-me com a maior parte. Ainda bem.
O facto de a grande maioria das pessoas nos desiludir só nos ajuda a fazer a triagem que dará à nossa vida o rumo «certo». Sim, há um rumo certo. Independentemente daquilo que esses «outros» nos dizem, o caminho que escolhemos para nós próprios é essa linha invisível onde uns se instalam e outros debandam.
Embora já não seja absolutista, como outrora fui, e apesar de ser «mais humano» que em outros tempos, mantenho intactas todas as idiossincrasias que a tantos escandaliza(ra)m. Muito embora seja o mais pacífico e controlado dos seres...
Sou radical cá dentro.
Acho que as circunstâncias determinam as pessoas. Talvez por isso mesmo nao acredite em «fraquezas» ou em «momentos de fraqueza» - que são situações forçosamente distintas. Acredito, sim, em vontade e em carácter. Somos donos de nós próprios. Os únicos. Devemos pensar mais em nós, sem temer a «etiquetagem» do «és egoísta». Sou! E que peculiaridade tão benfazeja. Além do mais (um defeito nunca vem só, desenganem-se!), uso os termos «sempre» e «nunca». Não garanto nem nunca garantirei nada seja a quem for. Asseguro, apenas, e a todos, «eu» próprio. É assim que eu sou, ponto final. Não obrigo nem exijo nada a ninguém. Só fica quem quer e quem eu quero. E... no fundo... as pessoas acabam sempre por desiludir (tal como nós acabamos por desiludir essas pessoas - aceito tão terrível condição de peito aberto!).
Aprendi a viver comigo mesmo, desde sempre. Por vezes, sinto que este «mundo» é um lugar demasiado pequeno. Demasiado... insignificante.
Epá... não sou humilde. Não sou nada simples. Sou um eterno insatisfeito. Quero mais.
Nunca a metade.
Sempre mais.

quinta-feira, agosto 02, 2007

És o eu

Quem disse, «vivemos para provar aos outros que estão enganados?»
Independentemente do nome do (famigerado) autor de tão bela frase, apraz-me tecer alguns comentários relativos à sua lógia - ou não lógica!
Partamos do seguinte princípio: haverá engano ou acerto quando falamos de seres humanos? O que é uma coisa e o que é a outra? Não será tudo fruto de contextos? Obviamente que somos pessoas com idiossincrasias (umas vezes bem definidas outras nem tanto) particulares que nos distinguem dos que nos rodeiam - embora nos aproximem ainda mais, no inverso -, fazendo com que, por si só, ajamos distintamente. No entanto, defendo que raramente algo pode ser retirado do próprio (tal) contexto em que se insere. Por muito que nos custe, isso ajuda a explicar algumas das acções que vamos tomando ao longo da nossa vida. Aprendemos. Erramos. Vamos amadurecendo opiniões e perspectivas. Na verdade, aprimoramos o nosso "ser único". Pelo menos, assim deveria ser. Entendo-o dessa forma e tenho esse desafio-mor. Lutar. Não obstante, procurando sempre aproximar-me da linha condutora: a coerência. Evitar mudar de «camisa» por conveniência. Ser suficientemente aberto e dotado para perceber que não é de absolutismos nem de teimosias que chegaremos «lá». Lá, onde a nossa pessoa encontra, cada vez mais, a certeza de ser quem é. Suponho que esse será, em qualquer circunstância, o fim último - nada de pensamentos apocalípticos!
É uma condição inexpugnável: vivemos na nossa própria procura. Relacionamo-nos. Amamos. Sofremos. Damos e recebemos. Experimentamos. Desistimos (abrimos mão, se quiserem). Choramos e rimos. Desejamos, impreterivelmente, a paz interior. A sensação de felicidade (nem que seja só isso mesmo, uma «sensação» fugaz). Os momentos de equilíbrio ou os de falta dele. Nunca seremos suficientes. Jamais chegaremos a nós próprios se vivermos enclausurados dentro da concha que (não) nos protege. São os outros que nos servem de espelho. Serão sempre eles aquilo que nos falta. A nossa compreensão. As nossas dúvidas. O bom e o mau.
Procurem. Ou aguardem como pêndulos. Mas vivam! Saboreiem cada hausto, não como se pudesse ser o último; antes por saberem que após esse poderá sempre vir um outro, que não o extinguirá... mas que servirá de complemento. Eis a palavra-chave.

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