sexta-feira, julho 06, 2007

Suspiro

Palavras como bolhas de sabão que o ar não destrói. O encanto não do sorriso, não do olhar, não do toque - a pulcritude do teu ser; a personalidade moldada pelo carácter que exala. Os ponteiros do relógio que se sucedem com um grito perante a espera que lava a esperança e a mantém viva.
Tinha de te encontrar.
Batida que o ritmo provoca dentro de nós. Sons de génio. Loucuras triviais. Caminhos. Passos entrelaçados pelo desejo de ter perto o segredo que revela o amanhã. Construir a arca. Recuperar o fôlego. Estrelas que não brilham porque não se vêem. Música escrita para ti. As cores do mundo. A voz da prece. A beleza de trincar o lábio quando se está perdido.
Pego nesta flor e imagino o teu rosto por detrás dela. A fotografia viva do odor.
Qual imagem?
Linhas de retoque no teu rosto. Curvas de plasticina. Coragem de barro seco.
Partilha. Saber que são as qualidades que nos conquistam; que os defeitos nos mantêm juntos. Reconhecer que nos movem, que nos fazem amar a pessoa que está do nosso lado. Para a vermos crescer, connosco; e que esse crescimento seja mútuo.
Palavra de tinta que pinto no teu corpo.
Essa palavra. A única.
A palavra que não é som.

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