Jardim de pétalas
E se as pétalas que caem da rosa voltassem a ela ainda com mais vigor?
Curiosa associação se pensarmos que a amizade é assim mesmo. Aqueles amigos que vamos fazendo ao longa da nossa (nada extenuante) vida são precisamente essas pétalas que queremos ver re-coladas no nosso ser, à rosa e ao caule que é o nosso tronco de massa disforme.
Por muito que os anos passem como uma vertigem (dura realidade), essas pessoas com quem estabelecemos laços profundos, de uma maneira ou de outra, estão (estarão) lá. Considero essa a beleza e a magia da verdadeira amizade. «Longe mas sempre perto de nós.» É um absurdo se pensarmos que tão pouco fazemos para mantermos essas pessoas por perto. O reencontro é tão bom, tão prazeroso, mas não o será mais ainda a manutenção e o aprofundamento?
Pessoas que marcam. Que não esquecemos. Que para sempre consideraremos nossas amigas. Estranha função. Tal como aquele odor que não desaparece. O bálsamo de um cabelo que não esquecemos. A palavra que nos lembra, o gesto que aviva recordações. E nunca nada é posto em causa; porquê? Amizade. Os anos pesam quando falamos de alguém que nos conhece para lá do que é possível contabilizar. Por muito longe que tenhamos estado, que estejamos, a presença é sempre sentida. Salutar. Resta-nos fazer por manter esses laços; procurar essas pessoas; trazê-las para junto do nosso mundo. Ele ganhará novas cores com esses amigos de velhas tonalidades. Um arco-iris de metamorfoses perenes.
É tão incompreensível ir deixando cair essas pétalas ao mesmo tempo que se procuram outras, novas... O ideal será sempre manter bem regadas as que temos, sem nunca descurar a descoberta e a procura que tanta falta nos faz. Até porque só assim as novas e as antigas pétalas farão sentido. Nenhuma rosa faz um jardim. Por maior que esta seja ou menor que ele pretenda ser.
A «vocês» que se plantaram no meu jardim há tantos e tantos anos... isto é vosso.

<< Home