Como tu
Confesso que não era nada disto que eu queria fazer. Admito que não eram estas as palavras que gostaria de escrever. Sinto-as, sim, mas sinto que são redutoras e nada expressam. São palavras meigas quando queria que fossem arrebatadoras.
Como tu.
Confesso que adoro confessar-me. Deixar que a minha suave fragrância penetre pelos poros. Ser envolvido pelo odor alheio. Sentir aquele arrepio quando pensamos em alguém que mexe connosco porque... nos surpreende. A magia existe e eu acredito nela. Vamos conhecendo alguém lentamente, deixando que o seu ser nos arrebata, que a sua «voz» seja o nosso sorriso constante. A palavra dela é mais forte e sentida, o abraço é único, o beijo consegue curar qualquer enfermidade da alma, a personalidade faz-nos sentir seguros e conquistados, o carácter encaixa no nosso, a sua força é aquilo que nos faltava. O olhar, o cabelo, o tom da pele e o seu aroma irreproduzível. O gesto. A mão. O carinho. O mimo. A doçura. Aquele pormenor que simplesmente faz a diferença em nós. Porque se partilha. Porque se sente. Lembra-me a diferença entre oferecer um ramo de cem flores a quem não gosta de flores ou oferecer uma flor a quem ama as flores. É essa a diferença. A diferença que faz destas palavras muito mais do que o significado de cada uma delas. Como que se virando o texto de pernas para o ar ele tivesse o seu verdadeiro sentido expresso entre as linhas do inverso. Mas deixaria de ser lido. Único.
Como tu.
Confesso.

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