Laço real
O beijo
apareceu na dança. A música libertou os fantasmas. Ritmou os corpos para que
estes se aproximassem.
Eu não danço.
O toque seduziu as pétalas do cabelo. A pele arrepiada pelo contacto das mãos, o roçagar da roupa prestes a ser despida. O beijo. A língua que percorre o interior húmido. As pálpebras que fecham mediante o ardor do desejo.
No caminho, o beijo. No beijo, o pedido. No pedido, a dúvida.
Eu não danço.
A chegada a casa, o cenário desconhecido. A entrada no quarto e a porta que se fecha. A lascívia dos gestos, a premência do intento. E o beijo. A saliva que se troca como se de um pedaço do corpo se tratasse. O discurso directo. A vontade de não abrir a cama e de apenas segurar naquele rosto de olhos fechados. A mão que percorre os seios bojudos. A parede que não deixa recuar nem mais um passo. A cama... E tudo se confunde. Os prazeres que se sentem mas não se pretendem; os que se querem sem se sentir. Tudo vão. A voz que sussurra a carne. A protecção da alma que é oferecida. E o fogo que queima. Sem arder.
Eu não danço, sabias?
Agarraste o corpo e encostaste-o à parede. Já não tinhas as calças e fervias para que eu pusesse o resto de lado. Para que te despisse. Enrolaste-te no meu corpo e pronunciaste algumas palavras. A seguir, uma pergunta. Respondi-te. Não aceitaste o que te disse e apertaste o desejo na mão. Sabias que queria. Sabia que não podia.
Porque não danço.
Foi o laço que me salvou. O laço que ia caindo e desvelaria o conteúdo do odor. E então não haveria recuo possível. O corpo conquistar-me-ia no momento em que a carne já despida violentasse as minhas pálpebras sequiosas. O laço escorregou e eu lancei-lhe a mão. Sorriste num primeiro instante, apenas até te aperceberes que não ficarias exposta. Apertei o cordão e dei novo laço. Construí-te. Dei-te uma nova dimensão. Apaguei a luz do devaneio e tu irrompeste num pranto sem paralelo. Deitei-te na cama e amei-te somente com a pele. Amei-te com a superfície da minha alma. Porque é possível amar apenas a superfície, sem lhe tocar. Ficámos assim até adormeceres. Até que as lágrimas secaram no teu rosto lavado. As lágrimas de um dia que recordo com ternura.
Simplesmente porque dei o laço. O laço da tua própria existência.
Eu não danço.
O toque seduziu as pétalas do cabelo. A pele arrepiada pelo contacto das mãos, o roçagar da roupa prestes a ser despida. O beijo. A língua que percorre o interior húmido. As pálpebras que fecham mediante o ardor do desejo.
No caminho, o beijo. No beijo, o pedido. No pedido, a dúvida.
Eu não danço.
A chegada a casa, o cenário desconhecido. A entrada no quarto e a porta que se fecha. A lascívia dos gestos, a premência do intento. E o beijo. A saliva que se troca como se de um pedaço do corpo se tratasse. O discurso directo. A vontade de não abrir a cama e de apenas segurar naquele rosto de olhos fechados. A mão que percorre os seios bojudos. A parede que não deixa recuar nem mais um passo. A cama... E tudo se confunde. Os prazeres que se sentem mas não se pretendem; os que se querem sem se sentir. Tudo vão. A voz que sussurra a carne. A protecção da alma que é oferecida. E o fogo que queima. Sem arder.
Eu não danço, sabias?
Agarraste o corpo e encostaste-o à parede. Já não tinhas as calças e fervias para que eu pusesse o resto de lado. Para que te despisse. Enrolaste-te no meu corpo e pronunciaste algumas palavras. A seguir, uma pergunta. Respondi-te. Não aceitaste o que te disse e apertaste o desejo na mão. Sabias que queria. Sabia que não podia.
Porque não danço.
Foi o laço que me salvou. O laço que ia caindo e desvelaria o conteúdo do odor. E então não haveria recuo possível. O corpo conquistar-me-ia no momento em que a carne já despida violentasse as minhas pálpebras sequiosas. O laço escorregou e eu lancei-lhe a mão. Sorriste num primeiro instante, apenas até te aperceberes que não ficarias exposta. Apertei o cordão e dei novo laço. Construí-te. Dei-te uma nova dimensão. Apaguei a luz do devaneio e tu irrompeste num pranto sem paralelo. Deitei-te na cama e amei-te somente com a pele. Amei-te com a superfície da minha alma. Porque é possível amar apenas a superfície, sem lhe tocar. Ficámos assim até adormeceres. Até que as lágrimas secaram no teu rosto lavado. As lágrimas de um dia que recordo com ternura.
Simplesmente porque dei o laço. O laço da tua própria existência.

<< Home