terça-feira, junho 12, 2007

Fuligem

O impulso do riso colado. O esgar da dor no corte da veia. Fingimento cruel de devaneio incerto. Lua presa na mão por incapacidade de amar sem sofrer. Destroços de alguém em mar sem norte. Dunas de sonhos perdidos. Acreditar na alma que esboça um gesto plangente. Ter-te perto de mim, inteira. Saber que serás minha na ventura da noite e na pulcritude da madrugada. Palavra pintada no corpo em verso de Baudelaire. A flor do encanto por morfina ingerida. Sabor a ópio na língua morta. Consciência de dever em vida passada. Sentir os braços nas pernas. Fechar os olhos e perceber. Tinta d´ água em coxas de tom róseo. Pétala. Pétala vermelha no cabelo cortado em escada. Piano de cauda em olhar fechado. Sobrolho tingido num sorriso rasgado. A trança suspensa pela espera do beijo. Sacrifício imune à lança do adeus sem vinda. Olho a valsa morta em pés de chumbo. Crer na morte que ampara. Morrer para sentir. Ar sem ti. Chão friável que ampara o tecto sem tacto. Impressão suspeita no rasgo do corpo. Areia fina de aragem doce, a que te trará até mim. Confusão latente. Um desejo irreprimível. Sabor. Ardor de prazer. Intensidade. Fuligem na engrenagem do amanhã. Dentro de ti.

visitas