quinta-feira, junho 14, 2007

Dúvida

Diversão lunática. Vício que aquece a alma por fazer sonhar. Copo de leite na mesinha de cabeceira e livro debaixo da almofada. Cama desfeita. Corpos que se levantam sem protestar. Olhar que se troca por palavras que foram esquecidas e enterradas.
Sei que te quero.
Desconhecer o sabor da orelha. Penetrar o espelho que reflecte o rosto cansado. Escorregar sobre o suor lascivo das pernas entrelaçadas. Lamber a pele. Gritar os pulmões e arquejar. Fechar os olhos para poder olhar para o sol. Atravessar o rio de pés descalços. Pedir que me ames.
Sei que te quero.
Caminhar com as mãos. Ouvir música e chorar por ser mudo. Entrar no comboio da desilusão para sair na estação da esperança reencontrada. Acreditar na voz quando as letras não fazem sentido. Cortar o dedo que escreve. Esquecer as mazelas da alma e procurar um novo sim. Sentir o vento a beijar a face e a chuva a encolher os ossos. Viajar por não se saber se morreremos, um dia. Promessas sentidas vazias de todo. Planos a esvoaçar na tempestade da certeza. Interior profícuo que dilacera. Momento de juízo em memória perdida. Digo-te o que sinto porque o sei.
Sei que te quero.
Não sei como nem porquê. Nem quando. Nem durante quanto tempo. Isso é para outra vida.
Quero-te. Simplesmente sei que te quero.

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