quinta-feira, junho 07, 2007

Artista

Escrevo ao luar.
Música de fundo a entoar preces ao amor. À coragem. Ao coração. À partilha do sentimento da entrega.
Vejo-te na música, por entre as notas que tocam. A voz do poeta que te declama.
Esperei por ti. Todos estes anos em que me senti sempre ludibriado, insatisfeito, percebo agora que era por ti que eu aguardava. Por aquilo que fervilha dentro do teu peito. A palavra que é proferida no momento exacto, o olhar que me percebe, a mão que me toca no local perfeito para me acalmar... para me fazer recolher no teu aconchego.
Aninha-te em mim. Protege-te nos meus braços. Anda comigo. Fica do meu lado. Ouve-me. Fala de ti. Sente a minha boca quando ela se cola aos teus lábios.
Eu percebo-te. Sinto-te. O teu interior é para mim límpido. A tua pele é a minha. O teu cabelo confunde-se com o meu. O teu olhar prende-me. O teu suspiro aquece-me. Foste esculpida para mim, e eu sei disso perfeitamente. Se tivesse chegado «antes», teria cumprido o sonho de te ter só minha; de construirmos um algo, os dois, para sempre, sem que tivesses sido de mais ninguém.
O tempo é nosso. Foi feito à nossa medida. Cabe-nos usá-lo; pô-lo no nosso caminho unido.
Toco-te novamente. Ferves. A sensualidade brota pelos teus poros como uma corrente ininterrupta de um fluído que nos aquece continuamente. Os gestos do teu corpo, os movimentos da tua mente, a volúpia num simples sorriso.
Lavas-me a alma e fazes dela o que entenderes. Tens esse poder. Possuis cada pequena centelha que me faz facilar. Que me prende a uma mulher. A ti. Nessa tua doçura. Na sensibilidade. Foste traçada. Esboçada. Retocada. Foste feita à mão de um pintor. Um mestre.
És vida. És acção. És sensação. Podias ser tudo. Se fosses livre. Se o quisesses. Se o desejasses. Se sentisses que sou um artista. O artista que te pintaria no rosto um sorriso eterno.
Eterno como os traços do teu cabelo.
Eterno como o teu corpo.
Eterno como as palavras que perdurarão no meu lápis, ainda que decidas nunca vê-las escritas.
No teu ventre.

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