quarta-feira, maio 30, 2007

Quero-te aqui

Se dissesse que gosto de ti, não estaria a mentir. Sinto-te dentro de mim. Existes como num sonho. Um sonho vivo, uma realidade imaginada mas palpável. Nunca te vi, nunca te toquei, mas sei que existes. Desenhei-te desde o primeiro segundo. Aquele segundo que nos toca, que muda o nosso rosto para sempre. Que basta...
O sempre.
O nunca.
Duas palavras que não albergas, que perdem significado. Não tens princípio e jamais terás fim. Como uma marca, uma cicatriz na pele. As «tais» pessoas... que nos arrepiam sem sequer nos tocarem.
Guardas esse sorriso. Trocas esse olhar. Estendes essa mão. És especial. Obrigas-me a recuar por te temer. Por nos temer. Por desejar ter-te do meu lado, por querer entrar dentro de ti e ser capaz de conhecer-te como mais ninguém. Apaixonar-me pelo toque dos teus dedos, pelo som da tua voz que me embala em sonhos que não possuo. Arrancar-me a amargura sublevada; abrir os braços quando eu cair de novo para fora de mim (ou dentro de mim, não sei).
Encosta-te ao meu corpo. Ouve-me. Sente o que eu sinto. Quero que saibas que sou mesmo assim e que ninguém o imagina. Que o meu coração bate mesmo mais depressa, como um compressor, e somente porque sofre desse defeito. Não é maior; não é mais pequeno. É, simplesmente, descompassado.
Só tens de pousar a tua mão sobre a minha cabeça... sem seres dura comigo. Mostrares-me que o caminho é do teu lado. Que é isso que se aprende numa partilha sem verbos conjugados. O tempo.
Quero que me descubras. Que sejas capaz de ver o que poucos alcançam. De me revirar. Que sejas mais forte do que os demais. Aguentar e sentir que valho a pena. Que tenho a centelha cá dentro.
Quero que me olhes e me beijes. Que me abraces. Que murmures ao meu ouvido as tuas preces, os teus medos, os teus desejos inconfessáveis.
Quero ter-te aqui. Sim, aqui, do meu lado. Deitada. Olhos fitos no tecto por detrás das pálpebras corridas. Ao som das nossas vozes. Do teu corpo e do meu. Nus. Lado a lado.

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