Personificação do eu
Está calor, porra! Um calor medonho. São quatro da manhã, é Agosto em Havana, e passei uma noite sem mulheres do meu lado. Quantas vezes é que isto sucedeu nos últimos anos da minha vida? O que é feito da minha vida? Ah, que estúpido que eu sou... A minha vida morreu, estraçalhada, no dia em que Nina desapareceu deste mundo. E o que é que isso tem a ver com o episódio do livro que eu estava a relatar? Estou constantemente a perder-me, os pensamentos que me invadem não param de colidir uns com os outros, e eu não consigo manter o fio da meada até ao fim. É sempre a mesma merda na porra da minha vida. Porra, estou sempre a escrever porra! Eu não era assim... Agora sou um pedaço de... de... um pedaço de... qualquer coisa que não sobrevive se for meramente um pedaço! Sou um pedaço de nada. Desde que li aquele livro. Mas não era desde que Nina falecera? Porr... Pára! Acabaram-se os palavrões; pelo menos os proferidos pela minha boca (aliás, pela minha caneta... ou melhor, porra!, pelo meu lápis, dado que escrevo sempre a lápis; tenho o secreto desejo de que um dia tudo aquilo que eu escrevi durante a desgraçada da minha vida se apague e nunca mais ninguém se lembre sequer do meu nome: Simon. Essa é a explicação que eu dou... e nem sei se é verdadeira ou não. Não faço ideia, nunca pensei no assunto, tão pouco. E chega, por agora, de pensar nele.)

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