terça-feira, maio 01, 2007

Mulheres

Sei que valho,
Aquilo que o meu coração conquista
Que sinto na pele
O fardo de querer-te junto a mim.
 
O ar amainou. Estrada de praia, farol calado, corpo sem braço. Mantenho a procura insipiente. Luto por descobrir o caminho que farejo. Que está mais perto. Aproximo-me, cautamente. A desilusão tem esse condão, de ser a matriz que nos fornece doravante a certeza de nós próprios. Acabo por perceber que procuro sem saber o que desejo encontrar. Talvez esse seja o segredo, até a explicação do que é complexo e linear ao mesmo tempo.
Já não penso mais em ti. Ho(je) não. Morreste no silêncio. Mentiste. Destruíste a criação, a ideia que fazia perpetuar dentro de mim a consciência do sentimento. Talvez até existas, talvez tenhas dito a verdade, e seja apenas o rosto dessa verdade a diferir... e tudo não passe de um mero desequilíbrio entre as forças da beleza e da fealdade.
Procuro... em ti. Procuro a beleza. Procuro o corpo. A saciedade física. Cobrimento. Espasmo. Orgasmo. O sorriso de ternura em penetração violenta. Solidão. Porque será que me sinto assim? Erradamente, dizes-me. Estou equivocado. Ou estamos enganados... Querias ser como «eles»... Porquê?
Não consigo mudar a cor dos meus olhos. Vou medindo sempre o corpo, alterando o seu peso, a sua aparência, mas não mudo. Carácter afiado, ponta que fere, complacência por devoção à necessidade que não perdura dentro de mim.
Minto. Sou obrigado a mentir. Não mereço castigo por isso. Não quero ser como tu. Não posso andar à chuva... simplesmente porque não vou molhar-me. Serei incapaz de abanar a cabeça e fazer saltar do cabelo pingos e salpicos de água salgada, gotas de intempérie emocional. Busco. Não o equilíbrio! Nunca a balança! As medidas da minha personalidade não existem: coexistem. Acendem-se e apagam-se. Procuram e afastam. Não por serem lógicas, coerentes - unicamente porque são o fruto proibido. O bater de asas que dará a liberdade ansiosa. Como um «efeito». Como causa e não como consequência. Para me reinventar.
Definitivamente, procuro-te. Todos os dias te encontro. Diferente. Sempre minha. Como tem de ser. Não partilho o que é meu. Nunca. Isso não muda.

visitas