segunda-feira, maio 07, 2007

Monstro

Habita o lugar onde eu escondo... a alma. Sou o monstro que se esconde. Se vocês soubessem o que perpassa o espírito... o que sinto cá dentro.
Sou mau. Luto minuto a minuto por afivelar um sorriso de beatitude, por oferecer um olhar de complacente ternura, por manter um comportamento pacífico e resguardado.
Não queiram saber o que desejo fazer-vos...
Parem de julgar as insignificâncias que existem dentro de mim... e centrem-se na podridão que percorre as veias pérfidas de sangue negro. Este animal observa-vos. Sente o vosso cheiro. Percepciona as fraquezas. Toca para sentir a textura da pele alheia. Sorve entranhas! E esconde-se...
Vê - olho por detrás dos olhos. Mão encoberta. Pensamento condicionado.
Não quero saber. Não me preocupo. É tudo falsidade latente; será compreensão?
Procuro novas cores. E outras mais. Procuro-as para prosseguir no logro. Quero continuar a enganar-vos. Sou bonzinho, sou.... Acreditem na melodia da minha voz, na delicadeza do meu toque, na convicção das minhas palavras - acreditem... e sucumbam como soldados mortos e queimados à socapa... pelas costas... ominosamente...
É mera cobardia.
Cerro os dentes quando vos vejo, quando se cruzam comigo. Sinto-vos dentro de mim, parte de... tudo! Grrr... desejo possuir-vos uma a uma... sem clemência.
Fecho os olhos e imagino...
Imagino a realidade do amanhã que estou a construir.
Desenganem-se, fantoches. Não acreditem numa só palavra!
Se pensam que já viram tudo...
Esqueçam-me!!

visitas