sexta-feira, maio 04, 2007

Exclamação ao destino

Que o diabo leve o meu destino e a minha alma se eu me deixar morrer nesta insatisfeita mediocridade! Que seja torturado por ter nascido assim, por ter permitido à desventura o infortúnio de uma vida fácil e requebrada! Jamais me perdoarei se não tiver força e engenho para te convencer, para fazer de ti, minha! Que a tua idade seja o meu fim, o princípio da minha sepultura dentro do teu corpo impúbere! Que o azul me veja, fraco, olhos fitos no chão, pranto de sonhos criados na imaginação de um ser débil que não soube conquistar a metade que faltava para si mesmo! Que eu seja esquartejado por ser considerado demente! Que me levem as profundas ondas do meu coração, que me destruam em suaves amplexos de asfixia lenta, que eu sinta o ar rarefeito do teu cabelo a entrar nas minha narinas e perceba que nada me salvará, nada se seguirá ao amanhã do teu adeus! Que eu seja fraco ao ponto de assumir que não tive razão em admití-lo, que foste somente uma ilusão que os meus olhos nunca viram, que apenas a minha sensibilidade atroz te tocou na nuca e te fez arrepiar! Que doença é esta, afinal?!
Pronuncio o teu nome... e espero que o destino não se encarregue de te trazer até mim.
Quero descobrir-te. Dentro do meu corpo.

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