Colapso da velhice
Dói ver que caminhamos para uma infância sem futuro.
Que todos os nossos órgãos acabarão por sucumbir.
Dilacera antever uma existência novamente dependente,
Por mais fortes que tenhamos sido, voltaremos a ser débeis num mundo irreconhecível.
Enquanto crianças, vimos ao mundo como numa tortura;
Saímos de um ambiente quente e aconchegante,
Dão-nos um nome sem saberem sequer se gostamos dele
Para, anos mais tarde, nem o recordarmos mais.
Os olhos grandes e aguados da infância, sequiosos de informação
Transformam-se em cavidades cadavéricas como carapaças de tartaruga
Olhos pequenos e difusos, cores indistintas, sonhos perdidos ou desfeitos
A respiração sôfrega de quem sofre por ter perdido tudo.
É injusto lutar por um horizonte que se fechará, em breve
Que fará de nós lembrança e não esquecimento
Um nome sem rosto, uma alma sem corpo
Provar a memória dos demais, sem sorriso, sem o toque da mão.
Estendido na cama, o féretro que acabará por nos recolher,
Multidão que nos cerca, olhares de medo, dia que não chega
Colher de sopa, colher de chã, palhinha que sorve
Lentamente, cada pedaço de vida
A vida que nos sobra, nos resta
Um dia só que prevalecerá sobre todos os outros.
[...]Um dia estarei aí, de novo
Até lá, descansa em paz
Junta-te a A. e a L.
Um, dois, três... [...]
Que todos os nossos órgãos acabarão por sucumbir.
Dilacera antever uma existência novamente dependente,
Por mais fortes que tenhamos sido, voltaremos a ser débeis num mundo irreconhecível.
Enquanto crianças, vimos ao mundo como numa tortura;
Saímos de um ambiente quente e aconchegante,
Dão-nos um nome sem saberem sequer se gostamos dele
Para, anos mais tarde, nem o recordarmos mais.
Os olhos grandes e aguados da infância, sequiosos de informação
Transformam-se em cavidades cadavéricas como carapaças de tartaruga
Olhos pequenos e difusos, cores indistintas, sonhos perdidos ou desfeitos
A respiração sôfrega de quem sofre por ter perdido tudo.
É injusto lutar por um horizonte que se fechará, em breve
Que fará de nós lembrança e não esquecimento
Um nome sem rosto, uma alma sem corpo
Provar a memória dos demais, sem sorriso, sem o toque da mão.
Estendido na cama, o féretro que acabará por nos recolher,
Multidão que nos cerca, olhares de medo, dia que não chega
Colher de sopa, colher de chã, palhinha que sorve
Lentamente, cada pedaço de vida
A vida que nos sobra, nos resta
Um dia só que prevalecerá sobre todos os outros.
[...]Um dia estarei aí, de novo
Até lá, descansa em paz
Junta-te a A. e a L.
Um, dois, três... [...]

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