Clímace
Fui incapaz de acreditar quando te vi nua à minha frente. No momento em que disseste, «vou despir-me e volto já, nua», julguei que brincavas com a minha ingenuidade. Confesso que percebi a centelha de malícia no teu olhar, talvez até admitido interiormente que fosses trocar de roupa e suspeitasse que quisesses colocar algo bem mais sensual, mas jamais imaginei que... o farias! Gostava que fosses um espelho para ter podido ver-me nele reflectido. Porém, isso aconteceu mesmo; vi-me em ti, nessa noite...
Aproximaste-te e perguntaste-me o que sentia ao ver-te assim, despida, completamente oferecida diante de mim. Quis responder-te o que sentia, dizer-te que o meu órgão responderia bem melhor do que as minhas palavras, do que os meus gestos desajeitados, contudo reprimi-me. Não sei porquê; ver-te, poder tocar-te, lamber-te, apalpar cada pedaço de pele, deliciar-me dentro do teu corpo, tudo isso me inibiu, contrariamente ao que estarias à espera que acontecesse. O coração principiou a bater mais forte, temi olhar os teus olhos efervescentes, passar um dedo que fosse no teu corpo certamente escaldante. Notei, contudo, que acusaste a sensação de desinteresse da minha parte. Erradamente! Eu queria ter-te, penetrar-te violentamente e sem pensar que hoje estávamos juntos e amanhã não voltariamos a ver-nos. Esquecer que o dia de hoje acabaria, a noite escoaria para o dealbar da manhã, e o sonho vivido não mais seria do que a recordação da respiração ofegante e do suor que no teu corpo permaneceria até que resolvesses livrar-te de mim. Desejei...
Tocaste-me. Adivinhaste o que me percorria e abriste as minhas calças. Invadiste a minha propriedade e deleitaste-te com o alheio nas mãos, na boca, envolvendo-o em saliva agridoce. Quiseste o meu orgasmo ali mesmo, de pé, contigo de joelhos a sorver-me. Rodavas para um lado, aproveitavas o balanço para tirar a boca e movimentar somente as mãos; aproximaste-o ainda mais de ti até que te tocou nos seios. Um bico de cada vez. Ergueste levemente o corpo e entrelaçaste-o entre as mãos e ambas as mamas. Fechei os olhos por não conseguir aguentar mais o que me queimava como gelo. Segurei-te no cabelo e puxei-te para cima. Beijei-te como se quisesse arrancar-te o lábio inferior. Devassei o teu corpo com a força meiga dos meus braços, o toque da minha mão. Deitei-te. Abri as tuas pernas de lés a lés e deixei que o meu corpo fosse escorregando suavemente, provocando-te o arrepio saboroso do desejo incontido. Lambi a parte interior das tuas coxas até que cheguei onde queria. Estavas limpa, aguada como uma pequena poça de água estagnada, lívida, saborosa, quente. Não mais parei. A língua ganhava forma e comprimento conforme te ia tirando forças, restabelecendo-te, por outro lado, de forma tão prazerosa que tinhas que colocar ambas as tuas mãos na minha cabeça. Em vez de me afastares, seguravas o meu cabelo e empurravas mais para o fundo a minha língua. Assim que comecei a usar um dedo, depois dois, e finalmente três, começaste a tragar o ar com tamanha sofreguidão que da respiração passaste para os gemidos, que foram subindo de tom, de intensidade, até serem autênticos gritos misturados com gestos espasmódicos. Senti que lentamente te diluías, que estavas prestes a irromper pelo sono profundo do climáx, retirei os dedos de dentro de ti, estiquei ambos os braços e envolvi os teus seios volumosos... enquanto a língua te provocava convulsões.
«Anda!», gritaste... «Penetra-me! Entra em mim...! Rápido, não aguento mais... Quero sentir-te!!»
Foi tudo muito fugaz; as imagens sucedem-se no meu cérebro sem que eu seja capaz de as colocar na devida ordem. O que se seguiu permanecerá dentro dos nossos corpos e como segredo que nos unirá eternamente. Sabemos que sim. Sabemos.
Sabemos que o teu sonho sonhou comigo e que eu te tive verdadeiramente nos meus braços, naqueles instantes. Que acordei com o teu sabor na minha boca, o teu odor nas minhas narinas, e sabemos também que não voltaste a acordar. Jazias do meu lado, fria, inerte, para sempre presa ao prazer que acabou por ser mais forte do que o teu próprio limite. Os teus lábios contorciam-se... ainda hoje não sei se da agonia do prazer, se da hilaridade da dor.

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