Centelha de ti
Pensei em fotocopiar a minha mente...
Com que fito, não sei. As insónias dão cabo de mim e ninguém o sabe. É uma insónia produtiva, sim, mas extenuante e dolorosa. Cansa a mente não fotografada.
Corpo sentado, corpo deitado, de pé, nada atenua a incapacidade latente em fechar os olhos e não pensar. Sonhar a dormir, simplesmente. Sonhar. Contigo ou com qualquer outra coisa, confesso. Sonhar!
O último sonho que tive foi tão longínquo que apenas o prendo com a saudade das palavras que carrego cá dentro. Estávamos vestidos de branco. Tudo à nossa volta desaparecera. Lembro-me de ter pensado durante horas sobre este estranho efeito... O vazio repleto de significação implícita... os corpos pintados de branco... Tu e eu.
O que significará para ti?
Gostava de saber, de enquadrar a tua visão na minha. Partilhar...
E lá estamos nós, então, frente-a-frente, a olhar um para o outro. O deserto de objectos para além dos nossos corpos. O gesto. Envolvi o teu rosto na minha mão cálida, o polegar a acariciar a tua bochecha e o resto da mão entre o cabelo e a orelha. Tentei, nesse gesto, descodificar-te! Em vão; o mistério adensou-se. Passei um dedo pelos teus lábios, até que os fechaste. Disseste-me numa voz morna, «sinto-te dentro de mim». Aí, tudo começou a fazer sentido, de súbito...!
Percebes-me? Diz que sim.
Encostei a maça do meu rosto à tua e senti a pele que te reveste, fina, delicada. Inspirei profundamente: o teu odor; o teu sabor. Prendi as minhas mãos à volta do teu cabelo liso, como quem te abraça, e toquei-te somente com a minha boca no teu lábio superior. Senti-te.
O ar das tuas narinas soprava no meu rosto. Abracei-te...
Pergunto-me: «quererei mesmo fotocopiar a minha mente?» Ou que sejas tu a fotocópia...?
Com que fito, não sei. As insónias dão cabo de mim e ninguém o sabe. É uma insónia produtiva, sim, mas extenuante e dolorosa. Cansa a mente não fotografada.
Corpo sentado, corpo deitado, de pé, nada atenua a incapacidade latente em fechar os olhos e não pensar. Sonhar a dormir, simplesmente. Sonhar. Contigo ou com qualquer outra coisa, confesso. Sonhar!
O último sonho que tive foi tão longínquo que apenas o prendo com a saudade das palavras que carrego cá dentro. Estávamos vestidos de branco. Tudo à nossa volta desaparecera. Lembro-me de ter pensado durante horas sobre este estranho efeito... O vazio repleto de significação implícita... os corpos pintados de branco... Tu e eu.
O que significará para ti?
Gostava de saber, de enquadrar a tua visão na minha. Partilhar...
E lá estamos nós, então, frente-a-frente, a olhar um para o outro. O deserto de objectos para além dos nossos corpos. O gesto. Envolvi o teu rosto na minha mão cálida, o polegar a acariciar a tua bochecha e o resto da mão entre o cabelo e a orelha. Tentei, nesse gesto, descodificar-te! Em vão; o mistério adensou-se. Passei um dedo pelos teus lábios, até que os fechaste. Disseste-me numa voz morna, «sinto-te dentro de mim». Aí, tudo começou a fazer sentido, de súbito...!
Percebes-me? Diz que sim.
Encostei a maça do meu rosto à tua e senti a pele que te reveste, fina, delicada. Inspirei profundamente: o teu odor; o teu sabor. Prendi as minhas mãos à volta do teu cabelo liso, como quem te abraça, e toquei-te somente com a minha boca no teu lábio superior. Senti-te.
O ar das tuas narinas soprava no meu rosto. Abracei-te...
Pergunto-me: «quererei mesmo fotocopiar a minha mente?» Ou que sejas tu a fotocópia...?

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