Boneco de marfim
Os amores consumados em cima de camisas de cetim
Trocas de papel como sentimentos partilhados
A tua pele intocada no segredo
O rosto repleto de rugosas expressões
Esse olhar que desvela duras indecisões
Fundidas no prazer que é esse medo
De ilusões que seriam sonhos achados
Se somente te desse esta mão de marfim
Porque o corpo que vês é a alma que não transparece
O poder do ser que não é indiferente
Que julga no olhar porque também é fraco
Amiúde sofre por ser dócil
Por fazer das suas forças as fraquezas alheias
Atrevimento pueril em chama que não cede
Procuro-te com a certeza dos meus lábios
Da mão que deixo escorregar quando te toco
Guizos que batem, retumbantes
Na aura que sopra de dentro para fora
Pedaço de carne envolta em volúpia
Creme deslavado com que fecho os olhos
O toque, sempre o toque
A cor do marfim incessante, prudente
Se pudesse ter-te neste instante
Achar-te perdida nos contornos destes braços
O odor do corpo que ferve em fátuo lume
Uma noite de amor contido, de riso transbordante
De anéis perenes, de almas cruzadas
Bonecos sem fim, rostos despidos e... amores de marfim.

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