Alma quieta
E se preferíssemos um estado anestesiado?
Uma tranquilidade planadora...
Silêncio.
Que se calem os tambores dentro do meu cérebro.
Fecho as pálpebras e inspiro fundo. O rosto recusa-se a ceder. As mãos lavadas com água suja, as palavras duras na dura tristeza das horas tristes. A boca que contorce. Perguntas em vão sobre os porquês da vida quando apenas a morte faz sentido. Faz sentido se o corpo tiver vivido plenamente, aceitando as pedras, os muros, as paredes dos seres que habitam os outros.
A vida que ensina.
Somos pequenos e insignificantes. Amamos para que nos amem. Sorrimos para que partilhem o nosso riso. Tocamos para sentir a própria pele. E olhamos porque nos queremos ver a nós, reflectidos.
São as pessoas que fazem o nosso caminho, que o traçam e demarcam. São elas as conquistas gloriosas.
São momentos. Almas.
Uma respiração tranquila. Uma concha aberta que ninguém compreende.
Deito-me na cama, sem esperar que os minutos passem por mim e me levem.
Deixei de contar o tempo. Quero-o.
Tal como te quero a ti. Dentro dele.

<< Home