100 sentido
«Serei eu um asceta daquilo que é impossível? Um perseguidor nato de tudo o que sei que dificilmente terei?»
A questão central é perfeitamente pertinente e justificável, por muito que pareça um lugar comum. Provavelmente todos poderão dizer que sentem o mesmo, que nunca têm aquilo que gostariam de ter, que os sonhos são inalcançáveis, que tudo isso não passa mesmo de um conjunto de ilusões criadas por mentes sequiosas e insaciáveis.
A questão central é perfeitamente pertinente e justificável, por muito que pareça um lugar comum. Provavelmente todos poderão dizer que sentem o mesmo, que nunca têm aquilo que gostariam de ter, que os sonhos são inalcançáveis, que tudo isso não passa mesmo de um conjunto de ilusões criadas por mentes sequiosas e insaciáveis.
Pois cada um que se julgue a si próprio; não quero ser juiz nem penitente. Apenas espectador (activo e interventivo).
Gosto do que não posso ter; desejo o que está fora do meu alcance; ter aquela sensação que dificilmente terei o que quero; ir em busca de tudo quanto na minha mão deveria estar e não está...
É indissociável da minha natureza particular. Canso-me perante a banalidade; esqueço o que é lutar, o que é sentir a adrenalina nas veias por desejar algo ardentemente; sentir aquele frémito prazeroso dentro do corpo simplesmente por perspectivar uma realidade ainda distante mas atingível!
Porquê desejar o fácil, o óbvio? Aceitar a sua contribuição redutora, espelharmo-nos em tudo o que recebemos de mão beijada? Não que não devamos apreciar o que temos, o que nos dão - antes pelo contrário: é fundamental e bem mais difícil de dirimir. A luta faz mais sentido, no entanto. Acresce valor e valia. Amadurece-nos. Ensina-nos a procurar o que desejamos, a partir em busca de algo mais (novo) assim que temos o que pretendemos. Contudo, convém nunca esquecer o que deixámos para trás: o passado que nos construiu. O passado, as pessoas, as coisas. Tudo. Não podemos ser depósitos de nada. E ir sempre em busca do desconhecido.
Talvez seja isso que distingue o homem do... próprio homem. O tal sentido da busca; ou a inexistência absoluta do mesmo, perante o absolutismo que reprime. Uma antítese metafórica que ganha dimensão è medida que a aproximamos das pessoas.
O que é a busca?
O que significa a saciedade ou a falta dela?
E os «momentos» em particular? A felicidade... por alcançar, mais do que por ter, simplesmente. Alcançar o que se tem, continuamente. Ter o que se alcança. Insistir na busca, fazer dela plural, conjugá-la em todas a formas e em várias pessoas.
Ter.
Querer.
Manter.
Usufruir.
Usar.
Guardar.
Espírito incerto. Fase da lua. Vontade de gritar e soletrar... o meu nome apenas.
Para que cada um o agarre e o regue.
Eu sou a busca. Não o juiz. Não o penitente. Simplesmente, o caminho.

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