O Idiota
Somos quando nos reconhecem
E mais quando se surpreendem
O Anjo ou o Diabo
Eu, tu, ou o Homem do lado
Para quê a rima?
Forçar a palavra,
Querer que o som se sobreponha
Que a grandeza do que dizemos
Ecoe no ouvido que nos ouve
Quem és?
Para mim, o de sempre
Aos meus olhos,
O mesmo
Figura de Dostoievski
Barba hirsuta em calvície de cómica ideologia
Mesmo quando queremos que o Mundo não nos veja
Para quê a metáfora?
Alegoria que é o fim da linha
O princípio a que a realidade nos submete
O olho igual que te vê
O coração que te sente, companheiro
Para quê tentar entender-me?
Fecha os teus sentidos
Evita pensar que os outros te julgam
Sê tu próprio
Com as músicas na cabeça
O enredo na ponta da língua
Imagens, sons, momentos e movimentos
Teatro de títeres
Bonecos de cordas ao som da tua melodia
Telas de óleo pintadas no sofrimento da mão
Para quê viver?
Sermos nós próprios
Lutar
Fixar o Céu
Levantar os braços
Abraçar
Chorar
Lágrimas que não se comparam a ninguém
São tuas
Usa-as
Lava-te nelas
Prende-te nas palavras que proferes
Não fujas
Não fujas!
O esqueleto está aqui
Vivo
Não chora
Ri
Não esquece
Perdoa
O que disse, repito
O quê?
Serás sempre o que quiseres ser;
Desde que tenhas essa força.
Procura-a.
Ela nem sempre está do nosso lado.
Nem sempre no sabor dos lábios.

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