segunda-feira, março 05, 2007

«Tangos e Tragédias»

O título deste pequeno post deveria ser algo semelhante a «Reaprender a rir». Só não é porque entendo que a «homenagem» só teria o brilho suficiente e merecedor se o mesmo (o tal título) fizesse jus a ela própria (à homenagem...!). Trocadilhos à parte (quem sabe do que estou a falar perceberá o porquê deste «trocadilho» inicial), vamos ao que interessa...
Fui assistir a um espectáculo digno de ser revisto, se tal fosse possível. Aconselhá-lo-ia a todas aquelas pessoas de quem gosto e que sei que gostam de uma boa gargalhada. Ou então, igualmente, a todas as pessoas que «precisam» de a dar (a gargalhada, claro)...
Incontornável.
Inesquecível.
É sair da sala (do re-esplendoroso Theatro Circo) com um sentimento de leveza incomensurável, dores nos músculos faciais e abdominais, e a enxugar as lágrimas que o riso incontido provocou.
Não há dúvida que a arte de fazer rir é complicada. E eu sou exigente. Muitas vezes sisudo, pouco dado ao riso fácil e extemporâneo, considero-me um espectador que, no que diz respeito à «comédia», só se perde de riso quando o que ouve ou vê é digno de tal. Os dois actores que protagonizam o "Tango e Tragédia» superaram qualquer expectativa que pudesse existir. São geniais na forma como interagem com a audiência, como nos obrigam a cantar, a gesticular, a falar com eles, a abrir a boca quanto mais não seja para mostrarmos os dentes ao nosso parceiro do lado... Deveriam inclusive aconselhar as pessoas, quando estas compram os bilhetes, a levaram um pacote de lenços de papel. É impossível não sair de lá desfeito em lágrimas de riso.
Lembro-me como se o tivesse diante de mim (até porque o tive mesmo!)... o ar de louco, os lábios pintados de preto, a barba por fazer, o cabelo espetado (e bem espetado, garanto!), a sobrancelha franzida, e uma expressividade fora do normal no olhar... Único.
E recordo o companheiro de labuta, de rosto lívido, bigodinho minúsculo, jeito de cabaré e anos 40, sempre ébrio por causa dos desamores contínuos (sobretudo da Ana Catarina!!)... que imenso pagode!!
Música, muita música, letras que entram no ouvido e de lá nunca mais saem, e histórias que roçam os píncaros da comicidade... Autenticamente, uma peça para recarregar as baterias para uma nova semana! Para não falar da quantidade incrível de pequenas privates com que de lá se sai: "roubaram meu sandwich!"; "os plim... plommm; o esgar retorcido e a língua de fora...!"; "obrigado Ricardo pela contribuição, mesmo que contra todos os outros!!"; e... a fantástica "dança de Copérnico!!".
Bem, é impossível de descrever o que se sente. De facto, só visto e sentido. Se puderem... não percam a oportunidade de perceber que a vida foi feita, sem dúvida, para sorrir.
Alegria contagiante.
Sobretudo, para espectadores «difíceis»... :)
E o tango... O tango não se esquece jamais...

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