Sem ti
Se eu fosse um verso, como seria composto?
De lentas rimas?
Palavras ambíguas?
Sensações dispersas?
Ou um sentimento único,
Mas uma unidade complexa?
E se fosse um livro, inteiro?
Tal quantidade de palavras
Umas sem nexo algum
Despejadas ao acaso da vontade sem tino
Um ror de frases gramaticalmente perfeitas
Um laço hermético sem princípio nem fim.
Talvez devesse ser um poema e nada mais...
Um conjunto de versos e não um só
Sem rima
Sem palavras de saudade
Sem ambições de versos declamados
Uma estrutura flutuante
Redigida ao sabor do vento
Na ponta do teu lápis
Aguçado, arrepiante, doloroso.
Ou talvez não,
E apenas uma folha.
Branca
Sem linhas.
Um pedaço, vazio.
Erradamente.
Um quadrado cheio,
Repleto, vivo, iridescente.
Sem ti e sem ninguém.
Empunho o lápis e escrevo.
Eu.
Mais ninguém.

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