terça-feira, março 27, 2007

Qual destino?

Haverá melhor «destino» do que aquele que é traçado por nós próprios? Um destino feito à nossa medida, mesmo que nem sempre nos assente da melhor forma. Para isso, e nessas ocasiões, é necessário evitar a acomodação, ter força para querer mudar. Não podemos deixar que o fado do destino nos sorva as entranhas e nos torne como a maioria: seres medíocres. Infelizmente, conheço algumas pessoas que correm esse risco; o anátema de viverem confinados àquilo que a vida lhes dá, por inerência do simples respirar. Conheço essas pessoas, felizmente, claro; porém, é quase cruel vê-las e rever todo o seu potencial sem que, no entanto, ele seja aproveitado.
Esta é a ironia do destino. Porque o destino é isso mesmo: uma mera concepção criada para justificar a passividade que nos corrói. Sempre podemos dizer, «é o destino...» ou «estava escrito no meu destino». Nada mais errado! O destino somos nós, é influenciado por todas as nossas atitudes diárias, pelas nossas decisões, e por tudo o que o mundo tem de imponderável, evidentemente. Contudo, essa imprevisibilidade que reveste os nossos dias não torna as nossas vidas num caminho traçado à priori. Em tudo o que fazemos na vida há parcelas controláveis e parcelas impossíveis de prever. O destino é isso mesmo: é a confluência de ambos os caminhos, de ambas as parcelas.
Claro que é mais fácil desistir. É mais fácil ceder. É mais fácil esconder o corpo. É mais fácil não agir. Aquilo que requer força e energia da nossa parte torna-se, por si só, árduo. Para essas pessoas, viver custa. É um fa(r)do... Como dizia alguém que conheci, «é assim mesmo, e não há nada a fazer... É o meu destino.» Que revolta intestinal tal aforismo me provocava!
Por que não encarar o destino como uma busca incessante da felicidade? E não quero saber se a «felicidade» existe ou é apenas o somar de pequenos acontecimentos (e momentos) felizes. Seja o que cada um quiser! O importante é tomar consciência dessa luta perene. Não somos seres perfeitos. Se o fôssemos não necessitaríamos dos Deuses. A Fé é uma criação do homem. Usem-na na procura da tal felicidade, então, e sirvam-se de todos os ardis imagináveis! Façam o que têm a fazer, o que sentem a vibrar dentro da alma. Conquanto respeitem a liberdade dos demais. Por muito que queiramos ser felizes, e sê-lo «à nossa maneira», não podemos, jamais, conquistar essa felicidade à custa da dos que nos rodeiam. Que sirva de lição...
A nossa felicidade estará sempre dentro de nós.

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