terça-feira, março 06, 2007

Jogo de Palavras

Escuso de afirmar que qualquer Homem se funde nas emoções. A problemática é saber distinguir «emoções» de «sensações». Aquilo que ele – Homem – desconhece, é que luta, de forma doente e espúria, por um desígnio que o reduz a nada. Somos vis. Actuamos na perfídia que nos transforma em matéria abjecta e infame, porque supomos que essa busca incessante nos transcende e satisfaz. Porquê? Porquê partir do desrespeito por si mesmo? Por que não resistir a uma tentação vã e passageira? Não lhe peço que seja sincero comigo, amigo leitor, apenas consigo mesmo. Não acredita no que lhe digo? Prossigamos.
Ama? Já amou? Tenciona amar? Responda à sua pergunta. Apenas a uma.
Algum dia temeu ter perdido a liberdade? Quiçá, ter-lhe-á sentido o odor...
E no seu mundo, caro leitor, existem odores? Diga em voz alta, tonante, para si mesmo, que mundo é o seu?... Consegue? Definiu-o? Ou foi invadido por um sentimento de vazio? Em quem pensou?! Vá! Não sinta receio, sou seu amigo, confidente. Ajude-se. Não tenha medo de exteriorizar aquilo que sente; bem como o que deseja. Assuma. Dialogue com o seu ego.
Retenha este «mundo». Continue a construir sobre ele. Ainda que não seja o seu mundo; bem como não é o meu. Provavelmente, será o de alguém que ambos conhecemos. Isso! Adivinhou. É dele. E nosso; meu, seu. Fazemos parte dele. Independentemente da profundidade em que nos encontramos, da consciência que dele tenhamos. É, agora, nosso também. Como num salto para o desconhecido. Um voo!
Voltemos atrás: o sentimento modela o ser humano. Somos incapazes de o arrostar. Para muitos de nós, o sentimento é cobiça, inveja. Para outros, pureza, sublimidade. Tudo depende dos olhos que o enxergam.
Nunca julgue aprioristicamente aquilo que sente por alguém. Nem por mim. Dê azo a que o sentimento, ou as «sensações» que ele despoleta, o conduzam por entre os jardins que se bifurcam. Não minimize as suas contingências. Quando pensar que a sua liberdade está em risco, ameaçada por um sentimento avassalador, nesse momento terá encontrado a sua plenitude mágica. O amor não coexiste sem liberdade, bem como é inconcebível haver plenitude sem secessão dela. No entanto, a liberdade de que prescinde no amor é somente uma parcela egoísta do seu ego.
Vivemos condicionados pelo temor de uma força que desconhecemos por completo. Uma força sem nome, sem rosto, sem corpo – sem matéria. No entanto, uma força que nos verga perante a sua inexorabilidade latente, e nos impele a levá-la seriamente em conta.
Como lidar com ela, respirar do seu lado? Enfrentá-la? Conseguirá o ser humano lutar contra a força mestra que conduz à revelia a sua vivência mais inócua?
De que força destruidora escrevo, respeitado leitor?

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