sexta-feira, março 23, 2007

Chega!

Começo a achar patético, de tantas vezes ouvir, a expressão «sou muito eu»...
Desengane-se aquele que pensa que se está a auto-elogiar ou a promover. Está simplesmente a encobrir um sentimento de insuficiência. Ninguém é pleno actuando sozinho. Por muito que gostemos de estar por nossa conta, no nosso recanto (e eu sou um deles), quem pensa que só assim será «uno» e actuará na sua completa «identidade», está, no mínimo, redondamente equivocado. A nossa identidade é indivisível. Só a perdemos se deixarmos que tal aconteça. E para isso acontecer não necessitamos de ter «alguém» do nosso lado. É um absurdo pensar-se que quando se está «com alguém» podemos perder esse nosso «eu» tão demarcado. Passa-se precisamente o contrário!; conseguiremos ser verdadeiramente nós próprios, chegar ao fundo do nosso âmago, encontrar traços quase invisíveis, apenas se ajudados por essa pessoa «especial», aquele que nos potencia, nos vira do avesso, nos faz sentir únicos. Aí se encontra a real identidade que possuimos. Não na «solidão» das almas; antes nas relações que entre elas se estabelecem. O que há é manobras de «diversão»... formas de esconder as nossas fraquezas. Nada mais.
Quem não precisa desse «alguém» que atire a primeira pedra.

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