O teu nome
Hoje acordei com aquela vontade indomável de escrever. Reduzir a minha existência por completo a palavras e frases. A não existir para outros alguéns. Não porque os queira excluir do meu redor, antes por sentir essa necessidade tão habitual de... desaparecer. Mais uma acto egoísta, porventura. Um outro estado crónico. É bom saber que cada um em particular procura em mim uma parcela diferente. Gratifica poder dar esse pedacinho... E fortalece-me ser capaz de dizer «basta!».
Recuo para dentro da minha toca. Tão minha. Tão toca. Acendo uma vela com o sopro da minha insatisfação e permaneço quieto, a respirar. Somente a respirar, para não consumir energias. Penso em todos os que me ajudaram. Os que ajudam. Abro o caderninho azul e escrevo alguns nomes. Sorrio. Sorrio porque gosto de vos ter aqui - dentro de mim. No caderninho de elástico.
Sob uma luz ténue e desmaiada leio nomes em voz alta e reajo de forma diferente a cada um. Lá fora, faz frio. A poderosa metáfora que encontro sempre. Mesmo quando fecho os olhos.
Deito-me com a paz que reina dentro do peito. Descanso o olhar. Encho os pulmões e expiro melifluamente. E a vela apaga-se... lentamente...

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