segunda-feira, fevereiro 12, 2007

(Des)Equilíbrios

Numa relação, a diferença de (entre as) personalidades é desejável, frutuosa, e saudável; promove o crescimento e a construção mútua. Permite às pessoas o alcançar de novas formas de existência, novos horizontes – «nous sommes des nains sur des épaules de géants». O que não invalida que se afirme, legitima e justificadamente, que os opostos se atraem, ou que a igualdade e a colagem de personalidades não possa promover harmonia e realização pessoal.
No entanto, defendo que o equilíbrio de forças deve existir ao nível da forma e não do conteúdo das próprias personalidades. Nenhum dos intervenientes numa relação deve ser, unicamente, o gigante, ou sempre a formiga. A esse nível, a igualdade deve existir como norma prevalecente – no sentido da dialéctica constante e profunda. Só dessa forma a exponenciação pode ser atingida; e os limites individuais superados por um todo mais forte e coeso que a soma das partes que o constituem. Neste contexto, a partilha alcança o verdadeiro sentido fenomenológico. Ainda assim, e como não existem receitas milagrosas no que diz respeito ao ser humano, a harmonia só perdura se for continuamente procurada e testada. É ela a condicionante promotora.
Nada disto invalida, como afirmei no início, que pessoas de semelhante personalidade e feitio se entendam na perfeição. Quiçá, será, inclusive, mais fácil de acontecer; porque o equilíbrio de uma relação entre semelhantes é apriorístico e não o fruto dela mesma. Contudo, é precisamente nesse campo específico que ela perde, no meu entender, a sua maior força: a superação; a simbiose etérea e avassaladora.
No que aos opostos se atraírem diz respeito, afirmo, somente, que a premissa é válida apenas na proporção da sua semelhança. Para lá de um certo limite de «divergência» inter-comportamental, os opostos são inconciliáveis e incompatíveis. Embora nada o seja sem experimentação...
Diria, em razão disso mesmo, que «viver intensamente compensa todo o esforço e quase todo o sacrifício. Viver a meias sempre foi a função e o castigo dos medíocres.»

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