segunda-feira, janeiro 08, 2007

Liberdade

Hoje apetecia-me falar de tudo... perder-me nas palavras que saem da minha boca via "papel virtual". Muitos dirão que me perco não raras vezes, que sou constantemente afogado pelas palavras que trago dentro de mim. Mas desta vez sinto que é diferente. Estou desiludido. Não sei se comigo, se com alguém, se com o que quer que seja. Talvez comigo... embora essa desilusão pessoal deva ser fruto do sentimento de profunda e permanente insatisfação perante mim mesmo. Quando sou eu que falho, critico-me. Quando são os outros que falham - signifique isso o que significar - critico-me igualmente. Isso magoa-me. Por isso gostava de me perder nas palavras, talvez para que elas levassem um pouco daquilo que sinto aqui dentro... e que não vaza.
É que por um lado estou feliz; por outro, infeliz. Digo-me e contradigo-me. Passei todos estes anos a acusar os "outros" - aqueles que do meu lado iam aguentando - por não me compreenderem, por não me alcançarem, por não... por não... por não... e começo agora a chegar à conclusão de que sou eu próprio que não me conheço... que não sei lidar comigo mesmo. Apetece-me rir. É patético pensá-lo, mais ainda dizê-lo - escrevê-lo a todos vocês que me lêem. No entanto, é a verdade; e eu prometi a mim mesmo tentar não mais faltar à verdade - à minha verdade interior. Passeei por este mundo retraído. Fui falso. Imodesto. Crítico. Severo. Cruel. Frio. Implacável. Distante. Controlei os meus sentimentos. Geri as minhas opções. Mediei o meu próprio discurso à mercê dos meus intuitos. Passei mensagens erradas por conveniência. Pintei-me. Descolori-me. Perdi a graça dos meus defeitos, das minhas loucuras, dos meus devaneios inconfessáveis. Os complexos engrandecem-nos. As fraquezas tornam-nos únicos e, aos olhos dos outros, humanos. Fomentei uma imagem absurda em torno de princípios e patamares de "perfeição" que não existem, nem se justificam. Que triste realidade. Que fiz eu?... Não me arrependo de nada do que fiz - saliente-se -, contudo, arrependo-me de tudo o que não fiz e que senti cá dentro, como um fogo ardente que me ia consumindo as entranhas. Somos o que somos. Mas vamos sempre a tempo. Isso anima-me. Mesmo que não possamos ter o que desejamos, podemos sempre ser quem somos, até ao nosso último dia. Não sei quando virá o meu, não interessa, mas sei que, até lá, quero mostrar-me verdadeiramente. Quero gritar quando isso significar o meu alívio. Chorar. Rir. Ser humano. Para ser eu. Se soar incoerente, perdido... diferente da imagem que de mim faziam... não se assustem. Aquele que está diante de todos vocês sou eu. Eu. Sem as capas do passado.

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