Lembrança
Lembra-me
Que posso tocar-te
Dá-me as asas do teu ser
Leva-me, pleno, até àquela nuvem
Onde escondes o viver
Na noite, envolta em doce ferrugem
Protege-me
Lembra-me que existes.
Lembra-me
Aviva-me a memória a cada passo que conseguimos dar
E a cada segundo que lado a lado tentamos
Dir-te-ei que amo, todos os dias
Porque amarei todas as melodias
Lembra-me
Não posso dizer-to, a cada segundo
Só a cada dia, mesmo que somente através do olhar
Vais entender que o sinto, nesse regaço do ar
Saber quando estou a pedir-te um beijo profundo
Lembra-me
Que ouço no silêncio da madrugada
E fico, imóvel, na sombra que nos viu nascer
Um dia, na bucólica alvorada
A mesma que me fez prometer
«Lembra-te:
De me lembrares todos os dias que me amas...
Sempre em ardentes chamas!»

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