Quis mostrar-te,
Através da metáfora do chocolate quebrado
Que somos o caminho e não o que fomos.
Somos tudo porque o caminho é nosso
Desbravado entre o presente e o amanhã
É nosso e não do passado que se fez memória
Crescemos ao longo desse trajecto
Comprido, curto, recto, curvo, bom ou mau
O carácter é aquele que vê, que sente, que aprende
Não o que evita os erros, o que só pensa com clarividência
É o que arrisca, o que assume, o que deseja
Somos fruto dessas experiências, que nos moldam
E é a partir delas que revelamos, mais ou menos,
O ser estéril e amorfo, inodoro e desenxabido
O que evita por medo, recua por receio, teme por cobardia
Se vinte e muitos anos nos fazem assim
E um ou dois, ou os que forem, nos fizessem
De outra forma
A culpa seria nossa, mais do que do caminho
Só nossa
As decisões tomadas por nós, indiferentes do passado
Ele está lá, e existe, serve-nos de guia
De diário
Sem melancolias
Sem vergonhas
Fez-nos como somos, ímpares, unos e grandes
Amados
Simbiontes
Deu-nos a Luz que trazemos cá dentro
Que alumia duas vezes porque segue na dianteira
Da coragem e da galhardia
De um sofrimento sem apatia
Porque se mudássemos o que somos
De que serviria o passado?
De consolo? ou de exemplo?
O exemplo somos nós, e é-o o hoje
Todos os dias
No fruto do caminho, esse que nos fez
E que se é verdadeiro,
Nos guiará doravante, assim
Conscientes, determinados
Sem consolo porque ele não é necessário
Nas nossas vidas.
O teu caminho
Permitiu que olhsse para ti
Que me perdesse em ti e
No espelho das tuas palavras
Fez-me sentir
E dizer-te
Tu
Só tu,
Por seres como és,
És o elogio que eu procuro em mim.