terça-feira, novembro 28, 2006

Vazio

Deito-me no chão e olho a escuridão
Aperto a mão, chamo a razão
Sinto que preciso, de novo, da solidão
Não consigo, não consigo, não consigo

Levanto-me, acendo uma vela
Seguro o pincel, miro a tela
Por entre a luz, farta de lutar
Sinto-me vazio, sem nada para dar

Largo o pincel, pego no espelho
Fixo o meu rosto, suavemente clareado
A sua cor, de um tom desmaiado
Faz-me recuar, temer o amanhã

À minha volta, sons estranhos, estridentes
Penetram o meu ouvido, não me deixam pensar
Levo a mão, suja, ao rosto branco
Branco de cor, escuro de luz

Porque procuro o sentido vazio
Encontro o seu castigo, duro e cruel
Já não sei se desejo
Desenhar a minha vida somente no papel.

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