quinta-feira, novembro 02, 2006

Paisagem

Deixei de ser um Castelo. Grande, pequeno; sem muralhas. Não o destruí, não o abandonei por temor ou imposição. Somente, deixei de viver na época das conquistas pela vã glória, pelo ensejo desmedido de se ser maior e mais influente.
Sem metáfora, cautela. Não se aventure; não deduza, induza. Respire pelas palavras que escrevo, leves e perfumadas. Sinta-o. Deixe que esses odores o invadam, balsâmicos.
Campo. Paisagem. Flores. Odores.
Compreenda o sentido implícito, a justificação da não-criação metafórica. Acredite, deixei de ser o Castelo. Abaixo as muralhas defensivas e bloqueadoras!
Imperceptível.
A muralha tolda; impede a visão longínqua – do exterior para o interior. Defende o interior, pelo impedimento ostensivo. Cerca. No entanto, a muralha, bem situada no sopé da montanha, permite uma percepção única, inigualável... inefável. Introduz o sentido do horizonte. A passagem é clara. Para o espírito sagaz. Prossiga em mim, se o é. Abandone-me, caso contrário. Não minta. Vejo tudo.

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