quarta-feira, outubro 04, 2006

Lágrimas por ti

Sonho no sonho da maré
Voo na altura do sonho
Limpo com a palma da mão
A lágrima que no meu rosto ponho.

Odor de ontem, ser de hoje
Pele eterna sem odor ou razão
Unida, movida ou achada
No seio da palavra em vão.

O corpo no calor do ardor
Detido no abraço sem fim
O ouvido que no ventre coloco
Pela vida que em ti evoco.

A mão que além nos agarra
Vívida, na doçura do momento
Aninhados e perdidos no tempo
No beijo, ensejo do desejo que nos uniu.

Advento de um outrora que há-de vir
Preso nas asas desse sonho
Que exponho por medo do tempo
Sem saber quando vou partir.

Conjugo o verbo que nos viu nascer
Do ocaso,
Assim o tempo não esquece
As palavras que jamais te disse
E que, sem as dizer... as ouviste.

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