Lágrimas de sonho
Com o vento a bater-me no rosto, olho para cima e miro as nuvens que se distribuem aleatoriamente sobre o azul do céu, agora suavemente tingido de cinzento. São nuvens rugosas, ásperas ao contacto que se estabelece quando me elevo e lhes toco com a palma da minha mão. Essas nuvens parecem conversar entre si; ciciar ao ouvido umas das outras uma qualquer história de embalar. Subitamente, imagino-me deitado sobre elas, como em uma cama toda ela feita de algodão. A mutação do meu pensamento perante o mesmo objecto tem a ver com a sua cor: ora mais pálida e clara, ora enegrecida como um manto aveludado. Eis, então, que se estabelece uma conversa silenciosa; deixaram de falar, de comunicar entre si.
Especado, fico a vê-las, embora já não as ouça. Provavelmente, notaram a minha presença interessada. É curioso... Enquanto me mantive invisível, distante dos seus olhares compenetrados, revelaram interesse em que eu ouvisse o que estavam a dizer. Parecia, até, que o desejavam: «ouve, ouve o que temos a dizer-te... Queremos que o saibas.» Imediatamente após o meu olhar ingénuo, meramente intuitivo e inocente, temeram-me. Recuaram no propósito explícito que defendiam. Quiseram retirar-me a legitimidade que me fora concedida, por elas mesmas. Incompreendido, magoado, iniciei uma marcha tímida, quase angustiante. Fui envolvido por uma tristeza companheira, fraterna. Deixei-me recolher pelo seu sussurro melódico e melancólico. Parecia a companheira ideal. Aquela que me faria sentir livre, tão leve quanto o vento. E, quando me senti assim, sonhei que me elevava no céu e que tocava nas nuvens, paradas, expectantes, desejosas do meu calor. Inexplicavelmente, acordei do sonho estatelado sobre a areia grossa e escaldante de uma praia sem lugar neste mundo, sem mar. Uma praia desértica, interminável ao olhar.
Só quando acordei, me apercebi que estivera todo o tempo com a mão direita fechada, sobre o meu peito, apertado pelo sentimento que me queimava. Arfei. Receoso, abri-a; pequenas e esparsas gotículas de um líquido que outrora fora água, deslizaram sobre a superfície da minha palma. Eram lágrimas. Lágrimas que havia derramado no meu sonho. Um sonho quase perfeito.
Especado, fico a vê-las, embora já não as ouça. Provavelmente, notaram a minha presença interessada. É curioso... Enquanto me mantive invisível, distante dos seus olhares compenetrados, revelaram interesse em que eu ouvisse o que estavam a dizer. Parecia, até, que o desejavam: «ouve, ouve o que temos a dizer-te... Queremos que o saibas.» Imediatamente após o meu olhar ingénuo, meramente intuitivo e inocente, temeram-me. Recuaram no propósito explícito que defendiam. Quiseram retirar-me a legitimidade que me fora concedida, por elas mesmas. Incompreendido, magoado, iniciei uma marcha tímida, quase angustiante. Fui envolvido por uma tristeza companheira, fraterna. Deixei-me recolher pelo seu sussurro melódico e melancólico. Parecia a companheira ideal. Aquela que me faria sentir livre, tão leve quanto o vento. E, quando me senti assim, sonhei que me elevava no céu e que tocava nas nuvens, paradas, expectantes, desejosas do meu calor. Inexplicavelmente, acordei do sonho estatelado sobre a areia grossa e escaldante de uma praia sem lugar neste mundo, sem mar. Uma praia desértica, interminável ao olhar.
Só quando acordei, me apercebi que estivera todo o tempo com a mão direita fechada, sobre o meu peito, apertado pelo sentimento que me queimava. Arfei. Receoso, abri-a; pequenas e esparsas gotículas de um líquido que outrora fora água, deslizaram sobre a superfície da minha palma. Eram lágrimas. Lágrimas que havia derramado no meu sonho. Um sonho quase perfeito.

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