quarta-feira, outubro 25, 2006

Busílis

Não consigo. Não tenho conseguido … e sinto-me impotente para contrariar essa tendência incapacitante. É duro. Queima. Faz-me sentir um mero peão num xadrez confuso e propenso ao engano. Sou assolado por uma inconstância que me assusta e descaracteriza pejorativamente; reduz-me, esquadrinha-me.
Não consigo. Tento e é infrutífero. Por ironia, sinto-me condicionado por determinadas vicissitudes controláveis e ajustáveis. Temo ter sido demasiado leviano, imprudente. Acabei por me julgar, no erro da caracterização; e acabei como os que o fizeram – separado de mim. Sinto uma força que desvanece, que me abandona - frívola.
Não consigo. A linha é diáfana, segura-me por cordas invisíveis, impalpáveis; quiçá, inexistentes. No fundo, as minhas cordas; aquelas que me sustentam estoicamente, mas que ameaçam quebrar ante a força que sobre elas é exercida. Força essa que já não controlo. Força que deixei de saber utilizar de forma doseada.
Uma vez mais, encontro-me numa região híbrida, quase surreal. De um lado e do outro, zonas antagónicas, brutalmente díspares; assustadoras. De um lado, o sucesso. Do outro, o fracasso. Estou suspenso sobre o desfiladeiro, ao sabor de um vento que me vai rasgando a pele, pela espera. Porque espero que as cordas quebrem, finalmente? Do que receio? Será assim tão difícil diferenciar o lógico?!; olhar para baixo, temerariamente, e decidir?
Apenas porque temo a queda prematura?....

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